A coach Juliana Carelli, de 41 anos, foi diagnosticada com fibromialgia há 20 anos. Para conviver com a doença, ela faz uso de medicamentos, se exercita regularmente e se alimenta de forma saudável. Juliana relata que demorou 12 anos para descobrir que a forte e persistente dor que sentia pelo corpo, se tratava da doença. “Segredo é ter bom fisioterapeuta, bom médico e bom terapeuta. Agora, é difícil abrir a caixa preta, fazer terapia e reconhecer tudo isso. O médico fica muito refém às vezes, porque o paciente quer remédio. Eu adoraria que remédio funcionasse, mas só remédio não funciona”, comenta. A fibromialgia é uma síndrome reumática caracterizada, principalmente, por dores crônicas em todo o corpo. Segundo o neurocirurgião da Unicamp Marcelo Valadares, a doença costuma aparecer em quem sofre de estresse ou passou por situações graves de trauma físico ou psicológico.

“O estresse, o cansaço, a dificuldade de dormir estão profundamente relacionados a fibromialgia. A gente não sabe se são causas, agravantes ou consequências da doença. Mas todos são situações que estimulam o cérebro da gente”, explica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 150 milhões de pessoas sofram com fibromialgia no mundo, sendo de 75% a 90% dos casos em mulheres. O neurocirurgião disse que ainda não foi encontrada uma razão específica para o desenvolvimento da doença, e o que existe são hipóteses. “O entendimento atual é que o problema surge no cérebro, centros cerebrais que processam a dor são mais ativos. Então aquele estímulo que é normal em uma pessoa que não tem fibromialgia, ativa a área de dor na pessoa que tem [a doença] e ela sente de forma desagradável. Não é só um centro, já foram identificadas pelo menos três áreas do cérebro relacionadas a dor”, explica, alertando que a fibromialgia costuma ser silenciosa e não detectável em exames laboratoriais. No entanto, sintomas como dores musculares difusas e persistentes, fadiga, sensação de formigamento, enxaqueca, rigidez muscular, e problemas de sono, são sintomas-chaves que podem indicar a doença.

*Com informações da repórter Caterina Achutti