A mediana de idade de internações em UTIs de todo o país devido a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está abaixo dos 60 anos pela primeira vez desde o início da pandemia no Brasil. O que significa que a maior causa da SRAG, a infecção por Covid-19, tem atingido uma faixa etária cada vez menor. O levantamento vem do Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz que analisou o período de 3 a 9 de janeiro (Semana 1) e 2 a 8 de maio (Semana 18) para acompanhar as mudanças do vírus no país. O comparativo mostrou que a mediana de idade de internações caiu de 66 anos para 55 anos e, especificamente em UTIs, esse número foi de 68 anos na Semana 1 para 58 anos na Semana 18. Os dados mostram que a pandemia tem rejuvenescido no Brasil desde o início de 2021. Apesar da mediana dos óbitos continuar superior a 60 anos, ao longo deste ano houve uma queda de 10 anos nas incidências de mortes pelo Sars-CoV-2. Em janeiro essa média era de 73 anos e em maio caiu para 63 anos. No entanto, as internações hospitalares e em UTI cresceram quase a metade entre pessoas não idosas.

Segundo levantamento do Observatório, a ocupação de leitos de UTI Covid no SUS tem apresentado uma queda, mas especialistas apontam que é importante ter cautela. “Caso não seja mantida uma queda sustentável, a pandemia poderá retomar a sua expansão”, destacam. A taxa de mortalidade pela doença também apresentou queda nas últimas duas semanas. No entanto, as taxas de novos casos continuam em platô alto. Esse novo padrão epidemiológico pode vir da vacinação de populações com maior risco, uma redução da ocupação de leitos e o rejuvenescimento da pandemia. “Combinados, estes novos fatores podem estar contribuindo para a diminuição da letalidade da doença, sem no entanto reduzir a transmissão da doença, que permanece intensa, como demonstrado pela alta taxa de positividade dos testes diagnóstico realizados nas últimas semanas”, indicaram os especialistas.

Apesar dos números apresentando queda, o cenário é preocupante devido o ritmo lento de vacinação no país e a possibilidade da chegada de novas variantes do coronavírus no Brasil. Em cinco meses de vacinação, apenas 19% da população brasileira recebeu a primeira dose enquanto somente 9% recebeu a segunda. Sem contar que a produção de imunizantes na Fiocruz e no Instituto Butantan estão paradas por falta de insumos. Junto à isso, a cepa indiana do vírus foi encontrada no Maranhão preocupa os médicos. A Fiocruz também alerta em seu Boletim que a flexibilização precoce de medidas de isolamento pode retomar a transmissão e gerar novos casos graves e óbitos nas próximas semanas.