O governo do Estado de São Paulo voltou a cobrar o Ministério da Saúde pelo custeio de mais de três mil leitos de terapia intensiva e acusou a pasta de mentir à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O vice-governador, Rodrigo Garcia, afirmou que o governo federal “diz uma coisa e faz outra”. “Na sexta-feira, para justificar uma resposta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ao Supremo Tribunal Federal,  o ministério foi lá e habilitou mais um pouquinho. Então a situação hoje, para que não haja dúvida, ele anuncia que tem 1.592 leitos habilitados, ‘olha eu melhorei para São Paulo, eu subi um pouco para São Paulo’, só que o governo de São Paulo está pagando 5.112, faltam ainda 3.520 leitos. Não existe um cumprimento da sentença do Supremo Tribunal Federal. Existe um engana que eu gosto. Fala que faz, mas, na prática, não está fazendo”, disse. A afirmação de Garcia acontece após diversas críticas do governador João Doria ao ministério da Saúde pela não ativação das unidades hospitalares e em meio aos aumentos de casos, internações e óbitos pela Covid-19 em todo o Estado.

Segundo o coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, os efeitos da Fase Emergencial, adotada para conter os avanços da pandemia sobre o sistema de saúde, vão aparecer em duas semanas. “Os números que nós estamos encontrando no momento não apontam nenhuma tendência de queda, pelo contrário. Essa semana que já estamos com restrições mais efetivas, ainda não apresentaram resultados satisfatórios, o que até certo ponto é esperado. Quando se começa com essas medidas mais restritivas, a gente precisa aguardar em torno de duas semanas para ter algum resultado”, disse. Ao todo, mais de 10 mil pacientes estão internados em unidades de terapia intensiva em todo o Estado. Isso significa um aumento de quase 4 mil pessoas em apenas três semanas. Na Grande São Paulo, a taxa de ocupação dos leitos atinge 90,5% e o Estado registra 89%. Um hospital de campanha será aberto no centro da capital paulista e deve começar a funcionar até o fim de março. Ao todo, 900 profissionais vão atuar no local, que terá 180 leitos, sendo 50 de UTI.

Durante coletiva nesta segunda-feira, 15, governador João Doria condenou o desrespeito às restrições, incluindo a presença do jogador do Flamengo, Gabigol, e do funkeiro MC Gui em um cassino. “Que péssimo exemplo de alguns personagens que lá foram e se esconderam embaixo da mesa de jogo. Que vergonha isso”, afirmou. O governo de São Paulo e a prefeitura da Capital autuaram 58 estabelecimentos comerciais por descumprimento da quarentena no final de semana. Entre a noite de sexta-feira e a madrugada do domingo, a força-tarefa abordou mais de 20 mil pessoas, com 14 detidas por desrespeito às regras sanitárias.

*Com informações da repórter Nanny Cox