Governadores criticaram a atuação do presidente Jair Bolsonaro na pandemia da Covid-19 durante audiência na comissão do Senado que discute o tema. Todos os quatro governantes estaduais que participaram da reunião remota apontaram o presidente como o principal culpado pela situação do país. O governador de São Paulo, João Doria, acredita que o Brasil poderia ter avançado mais na vacinação. “Poderíamos ter iniciado a imunização dos brasileiros em novembro e já teríamos mais de 40% da população imunizada.”

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, afirma que uma nova troca no Ministério da Saúde não vai adiantar se o presidente Jair Bolsonaro mantiver a mesma postura. “Vai trocar o ministro e não vai adiantar muito porque tem que mudar o comportamento do governo. O governo tem que passar a exercer uma condenação dessa ação, o que não fez até agora.” O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, relata que o agora ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello “sempre foi sempre gentil” e “disponibilizou equipamentos e ferramentas”. Mas diz que Bolsonaro tem falhado nas atribuições. “Quando a gente precisa avançar nos dois pontos, na articulação internacional para vacina e apoio para medidas de distanciamento, são dois problemas que o presidente da República não tem ajudado. E fica difícil que o ministro da Saúde consiga resolver.”

Já o governador do Maranhão, Flávio Dino, vê carências no que se refere à coordenação nacional de uma política contra a Covid-19. Mas para ele, isso não pode ser imputado aos ministros da Saúde durante o período. “Acho que tanto o Mandetta, quanto Teich e Pazuello tentaram dialogar com os governadores. A questão central é a hierarquia administrativa que tem determinado atitudes de sabotagem.” O Fórum dos Governadores se reuniu com dirigentes da Anvisa para discutir o andamento da análise das vacinas Sputnik V, Covaxin e o consórcio Covax Facility. Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, a agência não começou a analisar essas vacinas pois ainda não foram feitos pedidos de uso emergencial ou de registro permanente dos dois imunizantes. Quanto ao consórcio Covax Facility, liderado pela OMS, as vacinas não precisam de análise prévia antes de serem aplicadas no Brasil.

*Com informações do repórter Levy Guimarães