Governadores do Norte e Nordeste podem contestar o veto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a importação da vacina Sputnik V. Após reunião com autoridades russas, ficou decidido que eles vão aguardar a manifestação do Instituto Gamaleya, Fundo Soberano Russo e órgãos da saúde do país, com informações adicionais. Depois disso, os governadores fariam as próprias considerações. O governador do Maranhão, Flávio Dino, afirmou que os russos “fornecerão mais relatórios e documentos técnicos para possibilitar a revisão administrativa ou judicial da decisão da Anvisa”. O presidente do Consórcio Nordeste, Wellington Dias, argumentou que outros países já utilizam o imunizante. “É uma vacina eficaz, que tem capacidade de imunização, já aplicada em milhões de pessoas em 62 países do mundo. Assim, esperamos que eles possam, agora, tecnicamente, cientificamente, responder aos pontos que foram apresentados no relatório da Anvisa, que diz exatamente o contrário e precisamos saber quem está com a verdade.”

Diante da negativa de importação, o Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras, que tinha firmado acordo para aquisição de 30 milhões de doses, começa a buscar alternativas. O Conectar tem conversas em andamento para negociação da CoronaVac, da vacina da americana Pfizer e do laborátorio chinês Sinopharm. O presidente do Conectar e prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, não descarta completamente a Sputnik V. “Nós temos várias frente de trabalho, a Sputnik era uma deles que já estava com uma programação estabelecida, mas se não temos a garantia à saúde e à segurança de todos os brasileiros nessa aplicação, preferimos aguardar para quando tiver essa aprovação técnica, sempre se valendo que a ciência está em primeiro lugar e a vida das pessoas, nós voltamos a avançar nesse contrato”, disse.

A decisão unânime de negar o pedido de importação foi baseada em falhas de segurança associadas ao desenvolvimento do imunizante, falta de relatório técnico para comprovar os padrões de qualidade e a dificuldade de acesso às instalações do Gamaleya. Em nota, o Fundo Soberano Russo negou que tenha barrado a visita da equipe brasileira e atestou a segurança da vacina. A entidade ainda acusou a agência reguladora brasileira de tomar decisões “de natureza política” e que “nada tem a ver com o acesso do regulador à informação ou ciência”.

*Com informações da repórter Nanny Cox