Um dia após o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, ser exonerado do cargo no Governo Federal, o inquérito que investiga possível responsabilidade dele na colapso da saúde pública de Manaus em janeiro foi enviado nesta quarta-feira, 24, para a Justiça Federal de Brasília a pedido do ministro Ricardo Lewandowski. A determinação do julgamento para Brasília foi motivada pela localização geográfica da sede do ministério, local onde os supostos crimes teriam sido praticados. Caso a corte reconheça que o ministro foi omisso no dever de agir com eficiência para evitar as calamidades no Amazonas, ele pode ser indiciado por conduta omissiva e ser responsabilizado de forma administrativa ou até mesmo criminal. Apesar da divulgação do despacho que envia o julgamento à Justiça do Distrito Federal, as diligências do inquérito seguem em sigilo.

Pouco menos de um mês após o registro de mortes durante o caos na saúde do estado nortista, ainda antes de ser interrogado pela Polícia Federal, Pazuello falou à Jovem Pan sobre o ocorrido e reforçou que não houve omissão no Estado. “O ministério da Saúde nunca foi oficiado sobre falta de oxigênio por White Martins. Isso é uma informação errada. A White Martins informou ao estado e essa informação nem teria por que vir para o ministério. O Ministério da Saúde não tem competência sobre a infraestrutura de oxigênio. Nós compramos oxigênio por intermédio dos estados e municípios”, afirmou. O então ministro também refutou a informação de que a falta de oxigênio foi responsável pela morte de pacientes em Manaus e garantiu que apenas uma auditoria definirá a motivação dos óbitos. “O que você tem que compreender é que a elevação da curva, vertiginosa, a partir de uma nova cepa, de uma nova linhagem de vírus, com maior contaminação, isso leva a uma reta exponencial de subida”, disse. Com a saída do cargo, ele perde o direito a foro privilegiado.