Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 2.648 mortes por complicações do coronavírus. Com isso, a média móvel de óbitos chegou a 2.031 pela primeira vez. Ao todo, já são mais de 285 mil vítimas da Covid-19 e o número de pessoas infectadas ultrapassa os 11,7 milhões de registros. Com este cenário, as medidas restritivas seguem avançando pelo país. Em Belo Horizonte, a primeira noite do toque de recolher foi de ruas vazias. Sem leitos de UTI na rede privada, a capital mineira está no limite para atender pacientes graves nos hospitais públicos. No Rio de Janeiro, o secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, disse que a situação está mudando rapidamente, o que pode levar a novas restrições. “Na sexta-feira, a gente anuncia todas essas medidas no nosso coletivo. A possibilidade de continuar as medidas restritivas existe, vai depender dos número e dos dados que estamos analisando no dia a dia.”

Além das capitais, a pandemia também está se agravando também no interior dos Estados. Com 100% dos leitos de terapia intensiva ocupados, o município de Campinas vai endurecer ainda mais as restrições a partir desta quinta-feira, 18. Festas familiares estão proibidas e o descumprimento pode dar multa e até detenção. A prefeitura da cidade vai reavaliar a situação e não descarta decretar lockdown. Embora importante para frear os avanços da doença, as medidas restritivas ainda dividem gestores no interior de São Paulo. Em entrevista ao programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, o prefeito de Aparecida, Luiz Carlos Siqueira, relatou, emocionado, que mais de 70% da população está desempregada. “Nós estamos com a cidade fechada, autodestruída, socioeconomicamente uma tragédia, uma tristeza muito maior estar na condição de prefeito, olhando para uma cidade que, hoje, passa fome. Uma cidade que não tem liquidez, eu não tenho recursos próprios. Se as pessoas não tem dinheiro para comer, muito menos elas terão para pagar tributos”, disse.

Esta semana, a  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um relatório apontando que este é o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. Segundo Carlos Machado, coordenador do observatório Covid-19 da instituição, os médicos não estão conseguindo lidar com a demanda. ” Temos o esgotamento da capacidade de resposta do sistema de saúde, tanto pelos limites na abertura de leitos, que existem profissionais de saúde qualificados, o que demanda tempo, como pela sobrecarga dos trabalhadores da saúde, que têm arcado com uma carga excessiva de trabalho e adoecimento.”

*Com informações da repórter Camila Yunes