Nesta segunda-feira, 10, parentes de mortos na operação da polícia fluminense na favela do Jacarezinho se reuniram com representantes da OAB, Defensoria Pública, e começaram a ser ouvidos também pelo Ministério Público e por uma comissão de Direitos Humanos na Alerj. Porém, tudo aconteceu com as portas fechadas. O medo dos parentes das vítimas aumentou ainda mais depois de postagens nas redes sociais de pessoas apoiando o resultado da operação policial. Na última quinta-feira, 27 suspeitos e um agente da Polícia Civil morreram na ação mais letal da história da polícia fluminense.

A policia do Rio de Janeiro garante que todos os mortos na operação do Jacarezinho tinham anotações e antecedentes criminais. No entanto, essa versão é questionada pela OAB, Defensoria Pública e Ministério Público. Na Justiça fluminense, a informação é de que pelo menos nove dos 27 suspeitos mortos não tinham processos ou anotações criminais. A defensora pública Maria Julia Miranda, que esteve na favela logo após a operação, ouviu relatos de execuções. “Na primeira casa, era sala de uma família que foi retirada de dentro. Eles dizem que presenciaram a entrada de duas pessoas que saíram mortas.” A polícia fluminense nega execuções na operação da favela do Jacarezinho e diz que tudo será esclarecido no andamento das investigações.

No entanto, representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Álvaro Quintão, definiu a operação policial como um desastre. “Não era apenas uma violação dos direitos humanos. Era, na verdade, o início de uma operação desastrada da Polícia Civil do Estado do Rio, uma operação que no final do dia se mostrou uma verdadeira chacina.” Alguns dos suspeitos baleados na operação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho foram levados para o Hospital Souza Aguiar, a maior emergência da América Latina no centro da capital. E a direção da unidade informou à OAB que todos os baleados já chegaram mortos ao local.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga