O aumento do número de casos de Covid-19 em várias regiões do Brasil nos últimos dias reacende o alerta sobre uma nova onda da pandemia. Especialistas veem uma tendência de aumento de contágios, internações e mortes ligadas ao coronavírus. O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marcelo Gomes, avalia que as medidas restritivas foram flexibilizadas cedo demais, com os números ainda muitos altos. “Isso era algo que a gente chamava atenção quando iniciou o processo de queda, tem que ter muita cautela e muito cuidado em relação às flexibilizações para não correr o risco de interromper essa queda ainda em valores muito altos, infelizmente é o que a gente está observando hoje”, pontua. Para a epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo Ethel Maciel, é preciso acelerar a campanha de vacinação e ampliar a testagem. “Seria fundamental para que a gente descobrisse rapidamente a pessoa que está infectada, às vezes antes mesmo que ela apresente algum sinal ou sintoma, ou identificar as pessoas assintomáticas e isolá-las muito rápido.”

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que o governo vai lançar uma campanha de testagem em massa. Segundo ele, o objetivo é que sejam realizados de 10 a 20 milhões de exames todos os meses. A professora Ethel Maciel acrescenta que outra preocupação é a possibilidade de que as vacinas percam eficácia diante das novas cepas do coronavírus. “Aquelas que o vírus consegue fazer alguma mudança que coloca em risco, aumento a gravidade da doença, aumenta a transmissão e podem colocar em risco as vacinas. Então, a grande preocupação com novas variantes é que ela afete as nossas medidas de prevenção”, diz. Em audiência na Câmara dos Deputados, na semana passada, o ministro da Saúde falou sobre uma eventual “terceira onda” da pandemia e afirmou que medidas restritivas “podem ser necessárias”.

*Com informações do repórter Vitor Brown