As aulas na faculdade da Bianca de Oliveira voltaram neste mês, mas ainda à distância. Aluna do curso de ciência e tecnologia da Universidade Federal do ABC, ela acredita no retorno presencial somente após a vacinação. “Acredito que o mais seguro e sensato é esperar estar todo mundo vacinado para que a gente possa voltar com o ensino presencial ou pelo menos com o ensino híbrido”, avalia. Com exceção dos cursos que exigem aulas práticas ou estágio, como os da área de saúde, por exemplo, muitas instituições de ensino superior planejam manter o ensino remoto ainda por um bom tempo.

Um portaria do Mistério da Educação, publicada em dezembro, estipula o retorno das aulas das universidades públicas e privadas para o dia primeiro de março. Entretanto, a definição sobre o método de ensino, se será remoto ou presencial, dependerá da situação local da pandemia. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior, Celso Niskier, as instituições estão se preparando para voltar às aulas presenciais de forma gradual, de acordo com as condições sanitários de cada localidade. “Em primeiro lugar conversar com a comunidade de professores, estudantes para saber qual é a melhor opção: a volta completa, a manutenção das atividades remotas por mais tempo, ou o sistema híbrido, que pode combinar aulas presenciais práticas com aulas teóricas remotas. O mais importante é que queremos e vamos voltar.”

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), grande parte das aulas sera à distância por causa do aumento do número de casos da Covid-19. O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, não acredita no retorno presencial para 2021. Ele afirma que a exceção será aberta somente para casos específicos. “No caso das nossas universidades, precisamos manter as pesquisas atualizadas para não perder muitas coisas, precisamos privilegiar estudantes que estão nos últimos anos e que, às vezes, precisam de alguma atividade prática e exija presença e naturalmente os calouros que nem vão ter a oportundiade de conhecer os seus colegas e professores. É uma pena que isso aconteça”, disse.

A futura publicitária Mylena Faustino, estudante de uma universidade privada da capital paulista, voltou a estudar no dia dia 10 de fevereiro, mas ainda de casa. Ela reconhece a importância da aulas presenciais, mas entende que neste momento, estudar em ambiente virtual é a melhor opção. “Pensando pelo momento que estamos vivendo na pandemia, vejo que não temos alternativa. É se expor ao risco para sua família e para as pessoas ao seu redor, ou se esforçar um pouco mais no ensino à distância. É um pouco mais difícil? É, mas precisamos trabalhar com o que está ao nosso alcance atualmente. Em São Paulo, as instituições de ensino superior públicas e privadas estão autorizadas a reabrir e receber até 35% dos alunos na modalidade presencial, em regiões que estão na fase amarela do plano de saída da quarentena.

*Com informações da repórter Caterina Achutti