Um dia depois de indicar a troca do comando na Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste sábado, 20, que novas mudanças devem ocorrer na estatal nos próximos dias. “Se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, semana que vem teremos mais”, disse durante pronunciamento na cerimônia de entrada dos novos alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas, no interior de São Paulo. “Vocês aprenderão rapidamente que pior que uma decisão mal tomada, é uma indecisão. Eu tenho que governar, trocar as peças que, porventura, não estejam dando certo”, afirmou o presidente.

Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira, 19, a escolha do general Joaquim Silva e Luna para substituir Roberto Castello Branco na presidência da Petrobras e como Conselheiro de Administração da empresa. A troca se deu em meio ao aumento das tensões entre o presidente e a estatal após o anúncio de novos reajustes da gasolina e do diesel, publicados na quinta-feira, 18. “O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova Missão, como Conselheiro de Administração e Presidente da Petrobras, após o encerramento do Ciclo, superior a dois anos, do atual Presidente, Senhor Roberto Castello Branco”, informou o presidente em um documento postado nas suas redes sociais.

Sem citar o nome de Castello Branco, Bolsonaro disse neste sábado que “o mais fácil é se acomodar, é se aproximar daqueles que não tem compromisso com a sua pátria, e assim usufruir de benesses”, e afirmou que não deixará esse tipo de comportamento ocorrer no seu governo. “Da nossa parte, da minha equipe de ministros, isso não ocorrerá. Acredito na minha pátria e entendo que tenho um dever a cumprir, como cada um de nós tem, e não deixarei passar a oportunidade”, afirmou. Bolsonaro ainda disse que se dependesse ele “não seria esse o regime que nós estaríamos vivendo”, e relevou os ataques à imprensa. “Eu representou a democracia no Brasil, nunca a imprensa teve tratamento tão cortês como o meu. Se não acham, é porque não estão acostumados a ouvir a verdade. Juntamente com as Forças Armadas e as instituições, tudo faremos para cumprir a Constituição e para fazer com que a democracia funcione.”

A troca no comando da Petrobras ocorreu após questionamentos do presidente sobre a política de Castello Branco devido ao aumento do preço dos combustíveis. Em 8 de fevereiro, Bolsonaro chegou a dizer que a subida criaria “chiadeira com razão”, mas que não era ditador para interferir na política de preços da estatal. Em conversa com apoiadores, o chefe do Executivo admitiu que os impostos sobre os combustíveis são altos, e afirmou que buscaria entendimento com governadores e distribuidoras para reduzir o valor aos consumidores. “Vai ter uma chiadeira com razão? Vai. Eu tenho influência sobre a Petrobras? Não. O cara fala ‘você é presidente do que?’ Ô, cara, vocês votaram em mim, tem um monte de lei aí. Ou eu cumpro a lei, ou vou ser ditador. E para ser ditador vira uma bagunça o negócio. Ninguém quer ser ditador e isso não passa pela cabeça da gente.”