A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um novo boletim epidemiológico nesta sexta-feira, 9, no qual aponta que as regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil devem enfrentar uma situação crítica em relação à Covid-19 nas próximas semanas, o que pode levar à saturação do sistema de saúde. O documento apresenta uma análise das semanas epidemiológicas 12 e 13, que correspondem ao período entre o dia 21 de março e 3 de abril de 2021. Os Estados com maior incidência de casos do coronavírus são Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal. Já o Estados com maior taxa de mortalidade pela doença são Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. Ou seja, todos os Estados das regiões Sul e Centro-Oeste registram altos índices de mortes provocadas pela Covid-19. O Boletim do Observatório Covid-19 ressalta que os insumos e os recursos hospitalares ainda se encontram em situação grave e os profissionais de saúde estão exaustos fisicamente e emocionalmente.

De acordo com a análise da Fiocruz, o único Estado a apresentar tendência de redução na mortalidade em decorrência do coronavírus é o Amazonas, que entrou em colapso nos primeiros dias desse ano e agora apresenta índice de queda de 5% no número de óbitos. O Rio de Janeiro e o Distrito Federal, porém, são os Estados que apresentam projeção de crescimento de 5,8% e 5,1%, respectivamente, o que significa que estão em situação de alerta máximo. Segundo o boletim, foi observada uma alta das taxas de letalidade na maior parte dos estados dentro desse período, dada pela proporção de casos que resultaram em óbitos. As maiores taxas de letalidade foram observadas no Rio de Janeiro (6,2%) e Rio Grande do Sul (4,1%). Quanto à ocupação de leitos de UTI, dezenove Estados e o Distrito Federal encontram-se com taxas superiores a 90%: no Norte, Rondônia (96%), Acre (95%), Amapá (91%) e Tocantins (95%); no Nordeste, Piauí (97%), Ceará (96%), Rio Grande do Norte (97%), Pernambuco (97%) e Sergipe (95%); no Sudeste, Minas Gerais (93%), Espírito Santo (94%), Rio de Janeiro (91%) e São Paulo (91%); no Sul, Paraná (95%), Santa Catarina (99%) e Rio Grande do Sul (90%); e no Centro Oeste, Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso (98%), Goiás (96%) e Distrito Federal (99%). O único Estado a apresentar nível baixo de alerta é Roraima, com 49%. O Estados que apresentam nível médio de alerta são o Amazonas e a Paraíba. Todos as demais unidades federativas apresentam nível crítico no índice.

O boletim ainda reforça um fato já observado no último Observatório que a fundação divulgou: o rejuvenescimento das pessoas atingidas pela pandemia. Se no documento anterior já havia evidências desse índice, a situação piorou. As faixas etárias de 30 a 39, de 40 a 49, e 50 a 59 anos continuaram sendo aquelas com aumento mais notável de casos da enfermidade no Brasil, superando o aumento global, assim como ocorreu com a faixa etária entre 20 e 29 anos. Esses mesmos grupos também apresentam porcentagens de óbitos superiores ao aumento global. “Esta mudança no perfil dos casos e óbitos contribui para o aumento da pressão sobre o sistema de saúde, potencialmente prolongando o tempo médio de internação. Além disso, já que se trata de população com maior circulação devido às atividades de trabalho, é importante considerar o potencial de transmissibilidade aumentado devido a este rejuvenescimento”, aponta o boletim.