O quinto maior exportador de carne bovina do mundo, a Argentina vive um dos maiores impasses em um setor considerado vitrine mundial do país. Na tentativa de frear a inflação de 50%, o presidente Alberto Fernandez proibiu as exportações por 30 dias. Apesar da proximidade das relações do país vizinho com o Brasil, o consumidor por aqui não deve se preocupar tanto ainda com eventuais altas ou falta do produto no mercado. A Argentina representa cerca de 30% das importações de carne bovina brasileira, e a procura é focada em carnes gourmet. A saída temporária dos argentinas, no entanto, impacta especialmente no abastecimento da China, destino de cerca de um quarto da produção do país. O vácuo poderia representar uma oportunidade para o Brasil, que é campeão no ranking mundial de exportadores de carne bovina. No entanto, o diretor da consultoria Athenagro, Maurício Palma Nogueira, afirma que o mercado já opera na máxima capacidade.

“Não acredito que o mercado possa se alterar tanto a ponto de mudar já o que a gente está projetando em termos de preços de exportações, de oferta apertada. Também estamos vivendo esse momento no Brasil, estamos vendo as carnes provocando uma pressão inflacionário que vem de toda a conjuntura mundial e vem da questão da própria alta dos insumos”, avalia. Os produtores argentinos responderam com a paralisação da comercialização de gado no país por nove dias. Os pecuaristas alegam que Fernandez “tenta tapar o sol com a peneira”. Maurício Palma Nogueira considera a medida do governo argentino como “equivocada”. “Uma decisão para controlar a inflação ela pode até resolver no curto prazo, aquela sensação de sobra de carne, mas vai criar tragédia para o setor exportador como um todo ao longo prazo, enfraquece a pecuária argentina”, pontua. A Argentina também lida com a insatisfação de trabalhadores portuários. A categoria chegou a paralisar as exportações de grãos do país em protesto por vacinas contra a Covid-19.

*Com informações da repórter Nanny Cox