Morador de Santo André, no ABC Paulista, o corretor de imóveis Jefferson Santana Silva foi pego de surpresa com o novo toque de recolher na cidade. “Hoje, em especial, eu estou chegando um pouquinho mais cedo. Mas, vira e mexe, chego após às 22 horas. Ainda estou no terminal esperando um último ônibus para chegar na minha residência.” Apesar das restrições ao transporte público, a doméstica Yara Lemos considerou a medida positiva. “Na situação que a gente está, eu acho que a medida é ótima.” Além de Santo André, a nova restrição vale também em São Bernardo do Campo.

Até o dia 14 de junho, fica proibida a circulação das 22 horas às 4 horas do dia seguinte, incluindo os ônibus municipais. O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, diz que esportes em áreas públicas e academias também estão vetados. “Então a gente espera que, com essa medida, a gente possa ter um controle e não ter que tomar outras medidas de maior restrição. Agora, tudo isso a gente precisa contar com o apoio da sociedade. Se todos colaborarem, usarem máscara, distanciamento, colaborar nesse quesito, a gente imagina não ter que tomar medidas mais difíceis.” As guarda civis metropolitanas dos dois municípios devem montar barreiras policiais em pontos estratégicos para fiscalizar e orientar a população. Quem desrespeitar o toque de recolher pode receber uma multa de até R$ 900. O prefeito de Santo André, Paulo Serra, garante que a intenção não é punir ninguém.

“É muito fácil, hoje, com a experiência que a gente adquiriu, nossos fiscais, GCMs e policiais identificarem o que é um trabalhador ou pai, mãe indo buscar remédio. Diferente de, por exemplo, um grupo de jovens indo para um posto de gasolina, uma festa, um pancadão.” A situação na capital também preocupa. O prefeito Ricardo Nunes disse ontem que 250 leitos de UTI serão abertos se houver alta de casos na cidade. “A gente não tem nenhum caso ainda confirmado aqui, mas existe essa possibilidade de uma terceira onda. E as informações que a gente tem é de que essa variante da Índia é que tem um grau de contaminação muito veloz. O importante é que a cidade está preparada, não há motivo para pânico.” Hoje, há 23.035 pacientes internados no Estado, sendo 10.189 em unidades de terapia intensiva e 12.846 em enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado é de 81,5% e na Grande São Paulo é de 79%.

*Com informações da repórter Caterina Achutti