Os dados são de uma pesquisa da 99 sobre mobilidade em São Paulo e refletem a desigualdade no Brasil. Enquanto os mais ricos podem cumprir o isolamento social e evitar a contaminação pelo coronavírus, os mais pobres precisam sair de casa para trabalhar. As corridas em carros de aplicativo feitas por pessoas que ganham até dois salários mínimos cresceram 75% em fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Já as corridas solicitadas por quem ganha até cinco salários mínimos caíram 54% no mesmo período. A Miriam Cristina Gomes é motorista de aplicativo e percebeu que o perfil de seus passageiros mudou durante a pandemia da Covid-19.

“Sem medo de errar: a cada 20 corridas, umas 17 são dentro da periferia e três fora da periferia.”  Os paulistanos que passaram a usar mais os carros de aplicativo, geralmente, atuam em funções que não permitem o trabalho remoto, como explica o gerente de comunicação da 99, Pedro Henrique Oliveira. “A gente observa que pessoas que trabalham em supermercados, farmácias, porteiros, trabalhadores do serviço essencial aumentaram o uso.” Além do carros por aplicativo, outra alternativa encontrada pelos paulistanos é o uso de bicicletas. As vendas das bikes cresceram 66% no ano passado, segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas.

*Com informações da repórter Nicole Fusco