A idosa Maria de Loudes, de 86 anos, não via a hora de tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19. “É uma ignorância ser contra vacina, porque é um bem. Você tem que usar o bem a favor seu”, disse. Ela e outros 40 moradores e funcionários de uma instituição de longa permanência na Zona Oeste de São Paulo receberam a segunda aplicação dos imunizantes nesta terça-feira, 17, último dia de Carnaval. Mesmo sem a tradicional folia, a alegria tomou conta da cuidadora Suzi Rosana. “Ela é um recomeço, um recomeço de uma nova vida, de uma nova caminhada”, comemorou. A gerente da instituição, Andrea Bueno, lembrou que, mesmo após a vacinação, é preciso manter o cuidado. “A expectativa sempre foi muito grande, uma data muito esperada por nós todos e foi muito bom receber, um alívio, mas, mesmo tomando a segunda dose, temos que manter todo um protocolo de segurança.”

A segunda dose da CoronaVac nos profissionais da saúde, indígenas, quilombolas, idosos e pessoas com deficiência que vivem em instituições de longa permanência começou na semana passada. Até agora, mais de 1,6 milhão de pessoas já foram imunizadas no estado de São Paulo. No entanto, essa não é a realidade de todo o Brasil. Enquanto a vacinação avança em partes do país, outras regiões enfrentam incertezas e anunciam paralisação das aplicações por falta de imunizantes. No Mato Grosso, a capital Cuaiabá possui doses dos imunizantes apenas para concluir a segunda aplicação. No Rio Grande do Sul, cidades da região metropolitana de Porto Alegre interromperam a campanha de vacinação também por falta de doses, o que pode acontecer em Curitiba, no Paraná, ainda nesta semana. Em Salvador, idosos de 83 anos ou mais não serão mais vacinados até a chegada de um novo lote de vacinas, sem previsão para acontecer. Na capital baiana, apenas quem recebeu a primeira dose dos imunizantes tem a próxima aplicação garantida. Ao mesmo tempo, a vacinação contra a Covid-19 foi suspensa no Rio de Janeiro a partir desta quarta-feira, 17. Até o momento, mais de 5,2 milhões de pessoas já receberam pelo menos a primeira dose de vacinas em todo o país. Amazonas, Roraima, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo são os locais mais avançados no ranking da vacinação.

 

*Com informações da repórter Caterina Achutti