O mais novo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz mostra um aumento preocupante das notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAg), que demanda hospitalização ou leva à morte, como é o caso de muitos pacientes internados com a doença. As informações foram coletadas entre os dias 2 e 8 de maio. Muitos Estados, principalmente na região Sul, que tiveram redução da Covid-19 nas últimas semanas, apresentam agora tendência de reversão ou mesmo um aumento no número de casos. Segundo a análise, mesmo nos Estados que mostram queda ou estabilidade, os registros de pacientes com algum problema pulmonar grave ainda permanecem muito altos, demonstrando a forte pressão sobre o sistema de saúde. Outro dado preocupante é que, pela primeira vez, a maioria dos internados por Covid-19 tem menos de 60 anos, reforçando a tendência de um rejuvenescimento da pandemia em 2021. Só em São Paulo, o número de pacientes com Covid internados passa de 22 mil. Mais de 12 mil estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Para tentar entender por que alguns pacientes graves submetidos à ventilação mecânica conseguem deixar a UTI, enquanto outros não sobrevivem à doença, pesquisadores da Fiocruz acompanharam 25 pessoas em estado crítico que necessitaram da ajuda de aparelhos para respirar. A média de idade desses doentes, monitorados de março a dezembro do ano passado, era de 57 anos. Segundo o coordenador do estudo, o pesquisador Thiago Moreno, os altos níveis de um vírus ancestral ligado ao genoma humano, o chamado retrovírus endógeno da família K, ou Herv K, estão associados não só ao agravamento da doença como também à mortalidade precoce. “Os retrovírus endógenos já foram associados a doenças como o câncer e esclerose múltipla. E nós descobrimos que na Covid-19 grave esses altas níveis de retrovírus endógenos se associaram com uma mortalidade precoce com aumento da inflamação e distúrbios da coagulação. O nosso estudo traz mais um elemento para a gente entender a patogênese da Covid grave e traz também um alerta para possíveis sequelas de longo prazo associados ao aumento do Herv K em pacientes que sobreviveram à forma grave da doença”, explica.  Thiago Moreno ressalta que os testes em laboratório revelaram que a presença do coronavírus funciona como um gatilho para o aumento desses retrovírus endógenos, antes adormecidos. Segundo o pesquisador, ainda é difícil saber por que isso ocorre em algumas pessoas e não em outras. A detecção precoce poderia reforçar o uso de determinadas estratégias, como o uso de anticoagulantes e anti-inflamatórios, reduzindo o risco de morte.