Em pronunciamento feito na tarde desta terça-feira, 24, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, não deu sinais de que estenderia o prazo final para retirada de tropas norte-americanas do Afeganistão, que correm contra o tempo para evacuar cidadãos dos EUA, parceiros e alguns afegãos do país da Ásia Central após mais de uma semana da retomada do poder local pelo Talibã. “Estou determinado a assegurar que vamos completar nossa missão e estou ciente do aumento dos riscos”, afirmou, se referindo a ameaças constantes de outros grupos insurgentes instalados na região. “Quanto mais tempo passarmos aqui, maior é o risco de um ataque terrorista de um grupo conhecido como ‘Isis-K’. Um braço do Estado Islâmico no Afeganistão que é inimigo jurado dos Talibãs. Todos os dias no qual estamos operando é um novo dia no qual sabemos que o ‘Isis K’ está tramando atacar o aeroporto, atingindo forças dos Estados Unidos e civis inocentes”, disse. O Isis-K, também chamado de Isis Khorasan (Estado Islâmico de Coraçone, em português), tem assumido a autoria de uma série de ataques em áreas urbanas da Ásia Central e foi considerado pelo Pentágono como uma “preocupação prioritária” no Afeganistão em abril de 2021.

A estimativa é de que o grupo, um braço do Estado Islâmico, tenha sido criado entre o meio e o final dos anos 2010 e esteja abrigado em regiões do Afeganistão, Paquistão, Tajiquistão e em partes da Índia. Segundo Biden, a reunião realizada com representantes do G7 na manhã desta terça foi produtiva e serviu para coordenar os esforços de retirada do país. “Concordamos em continuar com cooperações para tirar as pessoas de lá o mais eficientemente e rápido o possível. Estamos no caminho para terminar a retirada até o dia 31 de agosto. Quanto mais rápido pudermos terminar, melhor”, disse. Biden afirmou que, para que o fim das operações ocorra dentro da próxima semana, porém, é necessário que o Talibã coopere permitindo que as pessoas entrem no aeroporto de Cabul sem qualquer interferência.

O presidente se encontrou com representantes da Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido, membros das Nações Unidas e da União Europeia na manhã desta terça-feira, 24, e disse que expressou “solidariedade pelos esforços dos parceiros”. Ele falou, ainda, que todos os membros do G7 lembraram da importância de prevenir que o país da Ásia Central seja um espaço de acolhimento para terroristas, mantendo o compromisso humanitário com os cidadãos e dando apoio a refugiados que tentem sair. “Concordamos que todos nós vamos julgar o Talibã pelas ações dele e que vamos manter uma coordenação próxima para responder ao seu comportamento”, afirmou. Segundo Biden, todos os afegãos que chegarem aos EUA terão antecedentes checados antes de receber vistos. “Os Estados Unidos vão fazer a parte deles. Estamos todos trabalhando junto a organizações de refugiados para reconstruir o sistema que foi destruído propositalmente pelo meu antecessor”, disse, em referência ao republicano Donald Trump.

Assim como no seu primeiro pronunciamento oficial sobre o assunto, feito há mais de uma semana, Biden falou que o país continua a monitorar outras células terroristas ao redor do mundo e disse que o país tem capacidade superior à de 2001 para encarar as ameaças ao redor do mundo, cooperando com outras democracias na luta contra possíveis ataques. Segundo Biden, nos últimos 10 dias, 70.700 pessoas foram evacuadas do país, número que aumenta se a retirada de pessoas a partir do mês de julho for considerada. “Esses números são uma prova do esforço feito pelos nossos bravos homens e mulheres para ajudar nossos diplomatas que estão em Cabul e nossos aliados”, destacou. As declarações de Biden foram feitas no mesmo dia que o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou em coletiva de imprensa com veículos de comunicação locais que a entrada de cidadãos do Afeganistão no aeroporto de Cabul, principal ponto de saída de refugiados do país para o exterior, está proibida pelos insurgentes e deu sinais de que não estenderia o prazo final de saída dos EUA, 31 de agosto.