O governo da Coreia do Norte recusou nesta quarta-feira, 2, 2,97 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 produzidas pelo laboratório chinês Sinovac. A informação foi dada por um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), responsável pela distribuição dos imunizantes, à Agência EFE. De acordo com a fonte da agência internacional, o Ministério de Saúde Pública norte-coreano indicou que as vacinas que são oferecidas através da iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) “podem ser transferidas para países gravemente afetados, diante do estoque mundial limitado”. Até o momento, o país socialista não recebeu qualquer remessa de imunizantes. As autoridades locais afirmaram que continuarão a se comunicar com a iniciativa Covax para receber vacinas nos próximos meses.

A porta-voz da Unicef garantiu em conversa com a EFE que as organizações envolvidas “seguem trabalhando proximamente com as autoridades competentes da República Democrática da Coreia, para garantir o apoio necessário” no momento de prepará-las para receber as primeiras vacinas. Um dos suportes dados pela Unicef ao regime de Pyongyang é a preparação das cadeias de frio necessárias para distribuir, armazenar e injetar os imunizantes na população. A Coreia do Norte, que fechou todas as fronteiras no ano passado para impedir a entrada do novo coronavírus, segue sem reportar qualquer caso de infecção pelo patógeno. Como as informações do país são pouco publicizadas pelo regime de Kim Jong-un, não há certeza de que os números são reais, mas no último balanço enviado à OMS, o governo indicou que, de março de 2020 até agosto de 2021, realizou 37.291 testes PCR, todos com resultado negativo.

A expectativa inicial da comunidade internacional era de que 1,9 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca fossem distribuídas por meio da iniciativa Covax Facility ao país, entrega que não ocorreu até o momento porque o regime não aceitou as recomendações técnicas do coletivo. Um informe publicado pelo serviço de inteligência da Coreia do Norte no mês de julho afirmou que o país tem “temores sobre os efeitos secundários da vacina da AstraZeneca” e disse que o governo estava reticente sobre imunizantes produzidos na China, priorizando os que são fabricados pela Rússia.