Uma declaração internacional assinada por diversos países, entre eles Estados Unidos e Brasil, mostra que o mundo está atento para o futuro das mulheres no Afeganistão. No documento, as nações relatam preocupação quanto a manutenção de direitos relacionados ao trabalho, estudo e a liberdade de ir e vir. Desde que o Talibã reassumiu o poder, o medo é de retrocesso. A embaixadora da Irlanda, representante nas Nações Unidas, Geraldine Byrne Nason, fez uma declaração dizendo que o conselho de segurança deve se unir contra possíveis abusos dos direitos humanos das afegãs.

A embaixadora lembrou que o país é membro das Nações Unidas e que isso traz obrigações a serem respeitadas. A antropóloga Francirosy Campos, da USP de Ribeirão Preto, trabalha com pesquisa na área do contexto islâmico e árabe com um olhar para o feminino. Ela explica que é importante fazer a desassociarão entre religião e interesses políticos. “Não existe nada no alcorão que coloque as mulheres inferiores aos homens. Não existe. As interpretações, elas são feitas de maneira extremamente equivocadas. O machismo, a violência não está no Islã. Está nos homens, mesmo sem religião, cristãos, judeus, enfim.”

Francirosy diz que é muito cedo para saber que caminho as coisas irão tomar nesta nova fase do Talibã. “O que eu quero ver é se a leitura que eles vão fazer é uma leitura literalista, que gera um extremismo. Se é uma leitura moderada, no sentido de ser reformista ou tradicional. Qual tipo de leitura que o Talibã vai fazer em relação as leis islâmicas. Os países vizinhos todos cumprimentaram o Talibã. Então a gente tem que estranhar isso. O foco só no Talibã não vai resolver. A gente precisa ampliar o nosso olhar e olhar esse jogo politico que está se formando.”

*Com informações da repórter Carolina Abelin