O Ministério das Relações Exteriores informou que cinco brasileiros estão no Afeganistão e que dois já manifestaram a intenção de deixar o país. O Itamaraty já está em contato com países que tem conduzido operações de resgate em território afegão. O governo brasileiro avalia a possiblidade de conceder vistos humanitários para pessoas afetadas pela situação no país. Segundo informações da Organização do Tratado do Atlântico Norte, mais de 18 mil pessoas já deixaram a capital Cabul em aviões lotados desde que o Talibã tomou o poder. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou, em pronunciamento na Casa Branca, que o principal objetivo dos EUA no Afeganistão neste momento é retirar os cidadãos e aliados do pais em segurança em meio a ascensão do grupo extremista.

Biden afirmou que foi feito um progresso significativo nos últimos dias e citou os seis mil soldados norte-americanos que fazem a segurança do aeroporto da capital afegã. O presidente ainda deixou um recado ao Talibã, de que está de olho em qualquer ação terrorista — e que a resposta será rápida. O presidente ainda disse que não é possível ver as imagens de pânico do povo afegão sem sentir dor. Diversas fotos e vídeos ganharam manchetes pelo mundo em que soldados tentam salvar crianças em meio ao caos que assola o país. Aviões do exercito norte-americano superlotados já deixaram o Afeganistão com refugiados e outros mais chegam na região com soldados e suprimentos. Para o especialista em assuntos do Oriente Médio, Samuel Feldberg, o terrorismo segue como a principal preocupação dos Estados Unidos.

“O interesse vital dos EUA é evitar que o Afeganistão se torne uma plataforma de terrorismo islâmico. E esse, talvez, seja o único elemento comum na politica externa dos EUA, da China e da Rússia, que são as principais potencias que tem capacidade de intervir na região.” Feldberg apontou que a limitação e controle do trabalho da imprensa no país será uma forma de fazer o mundo enxergar o que vai acontecer no Afeganistão sob comendo do regime Talibã. Grandes grupos de comunicação tentam tirar, com segurança, seus profissionais do país. Desde a ascensão do Talibã no poder, 204 jornalistas já conseguiram deixar o país.

O Talibã havia dito, no meio da semana, que ia permitir o trabalho da imprensa e que mulheres poderiam continuar trabalhando. Apesar disso, o familiar de uma jornalista alemã foi morto por militantes do grupo depois de uma batida em casa na busca pela profissional. A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras divulgou nota pedindo ajuda do Conselho de Segurança da ONU para debater a ajuda a profissionais de imprensa no país. Em meio ao caos, alguns sinais de esperança: algumas imagens mostraram mulheres entregando os filhos a soldados para tentar tirá-los do país e fugirem do regime Talibã. Uma das historias que mais emocionou foi a de uma bebê de apenas 2 meses, entregue pela mãe a soldados turcos por cima de uma cerca de arame farpado no aeroporto. Durante todo o dia, os militares cuidaram da criança. A historia acabou com um final feliz: os pais das crianças foram achados e a família se reencontrou nesta sexta-feira, 20.