Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira, 9, aponta que muitas das mudanças observadas no clima são sem precedentes em milhares, senão em centenas de milhares de anos. O documento elaborado pelo órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) considera que alguma das mudanças, como o aumento do nível do mar, já são irreversíveis. O aquecimento global só pode ser limitado por fortes e sustentadas diminuições nas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito. Caso as reduções ocorram, embora os benefícios na qualidade do ar sejam notados rapidamente, pode levar de 20 a 30 anos para que as temperaturas globais sejam estabilizadas.

Desde 1850 a 1900, as emissões de gases de efeito estufa das atividades humanas foram responsáveis ​​pelo aumento de aproximadamente 1,1°C. O documento ainda mostra que a temperatura global deve ultrapassar 1,5°C a 2°C nas próximas décadas se não houver “reduções imediatas, rápidas e em grande escala” nas emissões de gases do efeito estufa. Com o aquecimento de 1,5°C, haverá aumento das ondas de calor, as estações quentes serão mais longas e haverá menos temporadas de frio. Para 2°C, os extremos de calor irão atingir mais frequentemente a tolerância crítica limiar para agricultura e saúde, mostra o relatório. As mudanças climáticas devem atingir todos as regiões do globo, afetando a umidade do ar, o nível de secura, os ventos, neve e gelo e as áreas costeiras e oceanos. O relatório cita os impactos que serão causados pelas mudanças climáticas:

  • Intensificação do ciclo da água, trazendo chuvas mais intensas e inundações, bem como secas mais intensas em muitas regiões;
  • Alteração dos padrões de precipitação. Em altas latitudes, é provável que a precipitação aumente, enquanto se prevê que diminua em grande parte das regiões subtropicais;
  • Aumento contínuo do nível do mar nas áreas costeiras ao longo do século 21, contribuindo para inundações mais frequentes e severas em áreas baixas e erosão nas costas;
  • Um aquecimento adicional amplificará o degelo do permafrost (solo encontrado na região do Ártico) e diminuir a ocorrência da neve sazonal;
  • Mudanças no oceano, incluindo aquecimento, ondas de calor marinhas mais frequentes, acidificação e redução dos níveis de oxigênio;
  • Para as cidades, alguns aspectos da mudança climática podem ser amplificados, incluindo o calor, inundação causada pela forte precipitação e aumento do nível do mar nas cidades costeiras.

O documento divulgado nesta segunda é a primeira parte do 6º Relatório de Avaliação do IPCC, que será concluído em 2022. O relatório foi construído a partir da análise de artigos científicos.