Mullah Mohammad Hasan Akhund será o líder do novo governo do Afeganistão, conforme anunciou o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, nesta terça-feira, 7. Abdul Ghani Baradar, co-fundador do grupo extremista, será o vice-líder. Segundo informações de um canal de televisão no Oriente Médio e de agências internacionais de notícias, Mullah Yaqoob, filho do fundador do Talibã e falecido líder supremo, Mullah Omar, foi nomeado ministro da Defesa, enquanto o cargo de ministro do Interior foi dado a Sirajuddin Haqqani, o líder da temida rede Haqqani. Hedayatullah Badri será o ministro interino das finanças, enquanto Amir Khan Muttaqi, um negociador do grupo extremista em Doha, foi nomeado ministro das Relações Exteriores. O grupo reforçou que fará um governo “inclusivo”, integrando as variadas etnias que compõem o país, mas a expectativa é que as mulheres não façam parte das altas cúpulas do governo.

Nesta segunda-feira, 6, o Talibã anunciou a tomada da última área de resistência do Afeganistão, a província de Panjshir, no norte do país. Era a única das 34 províncias do Afeganistão que não estava sob o controle do grupo extremista. Em vídeo postado nas redes sociais, representantes do Talibã aparecem em frente ao palácio do governador em Panjshir. Em outra gravação, eles aparecem hasteando a bandeira do grupo na capital da província. “A província de Panjshir, que era o último ninho remanescente do inimigo em fuga, foi limpa esta manhã e na noite passada”, disse o porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, segundo agências internacionais. A informação, no entanto, foi negada pela Frente Nacional de Resistência, grupo opositor que domina Panjshir. “Asseguramos ao povo do Afeganistão que a luta contra o Talibã e seus parceiros continuará até que a justiça e a liberdade prevaleçam”, afirmou o grupo.

Com a retirada das tropas americanas do Afeganistão, em agosto deste ano, o Talibã retomou o poder após duas décadas na clandestinidade. Líderes do grupo prometeram respeitar os direitos das mulheres e que não haverá retaliação. Porém, se multiplicam os registros de repressão violenta às manifestações contra os extremistas, sobretudo as realizadas por mulheres. No último sábado, um protesto de afegãs por igualdade de direitos e participação no governo, na capital Cabul, várias mulheres disseram que foram espancadas por combatentes por soldados talibãs, segundo informações divulgadas pelo The New York Times.