O Talibã assumiu nesta terça-feira, 10, a cidade de Farah, capital da província de mesmo nome, no sudeste do Afeganistão. Esta é a sétima capital provincial ocupada desde a última sexta-feira, 6, em um avanço das forças insurgentes no país. “Nesta tarde, eles entraram na cidade após um breve combate com forças de segurança. Eles já tomaram conta do gabinete governamental e de todos os quartéis policiais”, disse o membro do Conselho da província, Shahla Abubar, ao jornal Al Jazeera. O local, segundo no sudeste do país a ser ocupado, é visto como estratégico para o Talibã já que oferece uma saída para o Irã. Ela é a sétima de 34 províncias ocupadas no país, mas o número ainda pode crescer nos próximos dias, já que o cerco contra forças de segurança está começando a se fechar em Mazar-i Sharif, maior cidade do Norte do país, que registra tentativas desesperadas de fuga de moradores. A maior parte daqueles que fogem das cidades ocupadas rumam para a capital Cabul, que já registra aumento de moradores de rua e pessoas acumuladas em praças. Apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) foi requerido no país.

A cidade de Lashkar Gah, na província de Helmand, e Candaar, capital da província com mesmo nome e segunda maior cidade do país, também estão na rota dos invasores. A queda de Farah ocorre um dia após o grupo tomar controle da cidade de Aybak, capital da província de Samagan, que se rendeu sem oferecer resistência aos insurgentes, que já ocupam todos os escritórios do governo, incluindo a casa do governador e o quartel-general da polícia. “Todos os membros das forças de segurança e funcionários da administração da província evacuaram a cidade”, disse à agência de notícias EFE o representante da província na Câmara Baixa do Parlamento, Mahbuba Rahmat.

Enquanto a ofensiva avança, uma reunião entre membros da Organização das Nações Unidas (ONU), União Europeia, Estados Unidos, Catar, China, Reino Unido, Uzbequistão, Paquistão e representantes do Afeganistão é realizada em Doha, no Catar, para tentar chegar a um acordo sobre a situação em curso. O país árabe sedia desde setembro de 2020 negociações entre o governo e os insurgentes, que fazem parte de um acordo de paz assinado pelo governo de Donald Trump e o Talibã. As tropas começaram a avançar no país com a paralisação das negociações e a retirada de tropas norte-americanas da região.