As forças Talibãs negociam há quase uma semana a rendição ou tomada à força da única província do Afeganistão que não está sob controle dos fundamentalistas. Panjshir, no norte da nação, tem centenas de soldados e guerrilheiros locais entrincheirados. Segundo o porta-voz dos talibãs, Zabihulla Mujahid, o centro da província está sitiado e uma “solução pacífica” é buscada para evitar conflitos. A região, encravada em um montanhoso vale ao norte da capital, é defendida por centenas de soldados das forças do antigo governo do país, que se refugiaram em áreas de difícil acesso, enquanto o presidente, Ashraf Ghani, fugiu para os Emirados Árabes. A província também é base da chamada “Aliança do Norte”, formação guerrilheira que foi liderada por Ahmad Shah Massoud e que resistiu e protegeu a região durante décadas. O filho do já falecido líder da organização, Ahmad Massoud, se apresentou como o responsável pelo movimento de luta contra os talibãs. Nos últimos dias, o chefe da “Aliança do Norte” se manifestou publicamente diversas vezes, para indicar a disposição de negociar com os insurgentes e evitar um “governo extremista”.

Além disso, forças de segurança acreditam que Amrullah Saleh, ex-primeiro-vice-presidente do Afeganistão, que se autoproclamou sucessor de Ghani e que vem sendo o principal defensor da resistência aos talibãs, está em Panjshir. Nesta segunda, os EUA confirmaram que 10,4 mil pessoas foram retiradas do país em 24 horas, aumentando o número total de resgatados desde 14 de agosto para 37 mil. Entre a madrugada de domingo e esta segunda-feira, embarcaram no aeroporto de Cabul “aproximadamente 10.400 pessoas” a bordo de 28 aviões militares americanos, entre eles 25 do tipo C-17 e três C-130, explicou o funcionário. No mesmo prazo, 61 aviões da coalizão internacional que combateu na guerra do Afeganistão retiraram mais 5.900 pessoas do país, informou a fonte, que pediu anonimato.