Anatel libera internet via satélite direto no celular e abre caminho para a Starlink no Brasil

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
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Decisão do Conselho Diretor cria base regulatória para tecnologia Direct-to-Device, mas conectividade ainda depende de parceria com operadoras locais

O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações aprovou a destinação de faixas de radiofrequência para serviços de comunicação direta entre satélites e celulares, um passo decisivo para que empresas como a Starlink, da SpaceX, possam oferecer conectividade sem a necessidade de antena externa no território brasileiro. A decisão levanta uma expectativa importante para quem vive em regiões sem cobertura de rede móvel tradicional: será que essa tecnologia finalmente vai resolver o problema da falta de sinal em áreas remotas do país?

O que é a tecnologia Direct-to-Device e como ela funciona na prática

A tecnologia conhecida como Direct-to-Device, ou simplesmente D2D, permite que satélites em órbita baixa funcionem como uma espécie de torre de celular no espaço, levando sinal a locais onde as redes móveis tradicionais não conseguem chegar. Isso representa uma mudança significativa em relação aos sistemas de internet via satélite já conhecidos no Brasil, que normalmente exigem a instalação de uma antena específica para captar o sinal. Com o D2D, o próprio smartphone do usuário, sem qualquer equipamento adicional, poderia se conectar diretamente ao satélite em situações de emergência ou em áreas remotas.

É importante entender, no entanto, que a aprovação da Anatel não significa que o serviço estará disponível de forma imediata para todos os usuários brasileiros. A decisão cria apenas a base regulatória necessária para que a tecnologia possa ser implantada no país, o que ainda depende de uma série de etapas adicionais, incluindo acordos comerciais entre empresas de satélite e operadoras de telefonia móvel já estabelecidas no Brasil.

Por que a Starlink não pode operar sozinha no mercado brasileiro

Um ponto central da decisão da Anatel é que a operação do serviço D2D deverá ocorrer obrigatoriamente em parceria com empresas de telefonia que já possuem autorização para usar as faixas de frequência no país. Isso significa que a Starlink, ou qualquer outra companhia de satélite interessada em oferecer esse tipo de conectividade, não poderá simplesmente disponibilizar o serviço de forma isolada para qualquer celular brasileiro, sem vínculo com uma operadora local.

Esse modelo de parceria obrigatória segue uma lógica semelhante à adotada em outros países que já implementaram tecnologias parecidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Starlink oferece conectividade direta em celulares por meio de uma parceria estabelecida com a operadora T-Mobile, sem operar de forma independente no mercado americano. A proposta aprovada pela Anatel prevê o uso de faixas de frequência já associadas à telefonia móvel tradicional no Brasil, entre elas as bandas de 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900 e 2.100 MHz, além da faixa de 2.500 MHz, todas utilizadas de forma secundária para os novos serviços D2D.

O que essa mudança pode representar para regiões remotas do Brasil

Para o cidadão brasileiro que vive em áreas rurais ou remotas, onde a cobertura de rede móvel tradicional ainda é limitada ou inexistente, a chegada dessa tecnologia representa uma expectativa concreta de melhoria no acesso à comunicação, especialmente em situações de emergência, quando a ausência de sinal pode significar a impossibilidade de pedir ajuda. Regiões da Amazônia, do interior do Nordeste e de áreas rurais espalhadas por todo o território nacional historicamente enfrentam dificuldades de conectividade que tecnologias como o D2D poderiam ajudar a resolver, ainda que de forma gradual.

Ainda assim, especialistas do setor de telecomunicações costumam alertar que a implementação prática desse tipo de serviço tende a ser progressiva, começando por funcionalidades mais básicas, como o envio de mensagens de texto em situações de emergência, antes de evoluir para serviços de dados mais robustos, como navegação na internet ou chamadas de voz completas via satélite. Esse é o padrão observado em outros mercados que já adotaram tecnologias semelhantes nos últimos anos.

Nos próximos meses, o setor de telecomunicações brasileiro deve acompanhar de perto os primeiros acordos comerciais entre empresas de satélite e operadoras locais, que serão determinantes para definir quando e como o serviço realmente chegará aos celulares dos brasileiros. Até lá, a aprovação da Anatel permanece como um marco regulatório importante, mas ainda distante da experiência prática que o usuário final poderá sentir no seu dia a dia.

Fontes consultadas:
CompreRural: https://www.comprerural.com/starlink-no-celular-e-liberado-apos-decisao-da-anatel-veja-o-que-muda-para-os-usuarios/