Quem pretende trocar de celular em 2026 vai sentir no bolso um efeito colateral da corrida mundial por inteligência artificial.
A chamada crise da memória RAM, provocada pela disputa entre data centers de IA e o restante da indústria eletrônica pela mesma produção de chips DRAM, já está encarecendo smartphones, notebooks e outros eletrônicos vendidos no país.
Por que a inteligência artificial afeta o preço do seu celular
O motivo é mais direto do que parece. Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram parte de suas linhas de produção para memórias de alta banda, usadas em processadores gráficos de data center, que têm margem de lucro maior do que a RAM tradicional usada em celulares e computadores. Com isso, a oferta disponível para dispositivos de consumo diminuiu, empurrando os preços para cima em toda a cadeia.
O impacto nos números já é mensurável. Segundo projeções da consultoria IDC, o preço médio global de venda de smartphones deve subir de 457 dólares em 2025 para 465 dólares em 2026, enquanto as vendas totais da categoria devem cair 12,9%, a maior queda já registrada, para cerca de 1,12 bilhão de unidades comercializadas no mundo todo.
O que os dados dizem sobre o Brasil
No mercado brasileiro, o efeito já apareceu no varejo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, os fabricantes já repassaram um aumento de pelo menos 20% em computadores e smartphones vendidos no país até o fim de 2025, resultado direto da alta no custo da memória. O peso desse componente no preço final de um aparelho também mudou de patamar: hoje, a memória responde por algo entre 15% e 20% do custo total de um celular ou computador, praticamente o dobro do que representava antes da crise.
A Samsung, uma das maiores fabricantes com operação no país, já sinalizou que os smartphones vendidos no Brasil podem ficar até 20% mais caros ao longo de 2026 por conta desse cenário. Outras marcas, como a Xiaomi, também confirmaram publicamente que os consumidores devem se preparar para preços mais altos nos próximos lançamentos, atribuindo o movimento diretamente à escassez de memória.
O que esperar dos próximos lançamentos
Especialistas do setor apontam dois movimentos que devem se repetir em praticamente todas as marcas nos próximos meses. O primeiro é o mais óbvio: preços de lançamento mais altos, padrão que já apareceu em modelos recentes como o Pixel 11 e o Galaxy S26. O segundo é mais sutil e vale a atenção de quem pesquisa antes de comprar: a redução da quantidade de memória RAM nas versões de entrada, uma forma de as fabricantes evitarem reajustes ainda maiores no preço final.
Para a indústria, o cenário não deve se resolver rapidamente. A avaliação de associações do setor é de que a alta nos custos de memória representa uma mudança estrutural, e não um solavanco temporário, com efeitos que devem seguir pressionando os preços ao longo de 2026 e possivelmente também em 2027, enquanto a expansão dos data centers voltados para inteligência artificial continuar em ritmo acelerado.
Na prática, isso significa que quem está pensando em trocar de aparelho ainda neste ano pode considerar antecipar a compra, já que a tendência apontada pelas próprias fabricantes é de preços subindo, não caindo, nos próximos meses.
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