Golpe da voz clonada por IA cresce no WhatsApp: veja como identificar antes de cair na armadilha

Emilia Sartelli
Por Emilia Sartelli
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Muito provavelmente, alguém do seu círculo de contatos já recebeu uma mensagem pedindo Pix em nome de um amigo ou familiar, ou foi a própria vítima dessa situação.

O golpe da conta clonada no WhatsApp segue entre os mais recorrentes no Brasil, mas ganhou um reforço tecnológico nos últimos meses: a clonagem de voz por inteligência artificial, capaz de reproduzir o timbre e o jeito de falar de uma pessoa a partir de poucos segundos de áudio.

Como os criminosos conseguem imitar uma voz real

A técnica, chamada de deepfake de áudio, funciona a partir da análise de padrões como timbre, entonação e ritmo da fala. Os golpistas costumam coletar o material de origem em locais que a maioria das pessoas nunca associaria a um risco de segurança: stories do Instagram, vídeos publicados no TikTok ou até ligações falsas gravadas propositalmente para capturar a voz da vítima em potencial.

Depois de reunir esse material, a inteligência artificial consegue gerar falas completas com um grau de naturalidade que dificulta a identificação do golpe a olho nu, ou melhor, a ouvido nu. O resultado é um áudio ou uma ligação que soa exatamente como a voz de um filho, uma mãe ou um amigo próximo pedindo ajuda urgente, geralmente envolvendo dinheiro.

Os números por trás do golpe

O tamanho do problema já aparece nas estatísticas do setor bancário. Segundo a Federação Brasileira de Bancos, o golpe da conta clonada no WhatsApp atingiu 153 mil brasileiros em 2024 e liderou o ranking de fraudes bancárias do ano, à frente da falsa venda, com 150 mil casos, e da falsa central bancária, com 105 mil. Uma pesquisa do Instituto DataSenado foi além e estimou que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos, cerca de 40,85 milhões de pessoas, perderam dinheiro com algum tipo de golpe digital nos últimos doze meses.

O prejuízo financeiro geral também cresceu. De acordo com a mesma federação bancária, as fraudes financeiras no país somaram R$ 10,1 bilhões em 2024, alta de 17% em relação ao ano anterior. Por trás desses números estão famílias inteiras sendo enganadas por uma tecnologia que, até pouco tempo atrás, parecia restrita a filmes de ficção científica.

Como se proteger na prática

Especialistas em segurança digital recomendam algumas medidas simples que reduzem bastante o risco de cair nesse tipo de golpe. Restringir quem pode ver a foto de perfil no WhatsApp, permitindo que apenas contatos salvos tenham acesso à imagem, já dificulta a montagem do golpe conhecido como “número novo”. Desconfiar de qualquer pedido que envolva urgência e dinheiro também é fundamental: o ideal é mudar de canal e ligar para a pessoa por fora do aplicativo antes de fazer qualquer transferência.

Outra recomendação prática é solicitar à operadora de telefonia o bloqueio de portabilidade, uma camada extra de autenticação que dificulta o chamado SIM swap, técnica usada por criminosos para assumir o controle da linha telefônica da vítima.

O que fazer se a conta já foi invadida

Caso a invasão já tenha acontecido, a orientação é agir rápido. O primeiro passo é tentar fazer login no próprio aplicativo para derrubar a sessão do invasor. Em seguida, é importante avisar os contatos, por redes sociais ou ligação, de que a conta foi comprometida e que nenhuma transferência deve ser feita em nome da vítima. Também vale enviar um e-mail para o suporte oficial do WhatsApp relatando o caso.

Se houve prejuízo financeiro, o passo seguinte é acionar o banco e solicitar a abertura de um Mecanismo Especial de Devolução, ferramenta que tenta reaver valores enviados por Pix em situações de fraude comprovada.

Fontes: