O perigo de normalizar sintomas só porque a pessoa envelheceu, segundo o Doutor Yuri Silva Portela

Emilia Sartelli
Por Emilia Sartelli
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Yuri Silva Portela

Envelhecer traz mudanças naturais ao organismo, mas isso não significa que todo sintoma novo deva ser atribuído à idade, comenta o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria. Alterações como perda de peso sem explicação, quedas frequentes, dificuldade para caminhar, mudanças de comportamento, esquecimentos recorrentes ou redução repentina da disposição podem indicar que algo precisa ser investigado. 

Quer entender por que alguns sintomas não devem ser tratados como consequência natural da idade? Leia mais a seguir e veja quais sinais merecem atenção.

Nem toda mudança faz parte do envelhecimento, destaca o Doutor Yuri Silva Portela

O processo de envelhecimento provoca alterações no corpo, mas existe uma diferença entre mudanças esperadas e perdas que aparecem de maneira intensa ou repentina. Redução de força, mudanças no ritmo dos movimentos e algumas alterações sensoriais podem ocorrer com o passar dos anos. Ainda assim, uma queda frequente de desempenho não deve ser automaticamente considerada consequência inevitável da idade. A intensidade, a velocidade e o impacto dessas mudanças na rotina ajudam a indicar quando é necessário investigar melhor a situação.

A expressão “é da idade” pode encerrar uma investigação antes mesmo que ela comece. Quando uma pessoa que sempre caminhou normalmente passa a apresentar dificuldades, por exemplo, é importante compreender quando a mudança surgiu, como evoluiu e quais atividades foram afetadas. O Doutor Yuri Silva Portela indica que o mesmo vale para alterações no apetite, no sono ou na disposição. Observar essas transformações desde os primeiros sinais pode favorecer a identificação de fatores que estejam comprometendo a saúde ou a funcionalidade.

Na geriatria, a observação do funcionamento cotidiano ajuda a construir uma visão mais ampla do estado de saúde. Mais do que identificar uma doença específica, o acompanhamento procura compreender como as diferentes condições interferem na independência e na capacidade de realizar atividades do dia a dia. Em razão disso, perceber uma mudança é o primeiro passo para entender sua origem. Essa análise também permite avaliar quais capacidades permanecem preservadas e quais precisam de maior atenção durante o acompanhamento.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Mudanças na memória merecem atenção

Esquecer ocasionalmente o nome de alguém ou demorar alguns segundos para lembrar determinada informação pode acontecer em diferentes fases da vida. A preocupação aumenta quando os esquecimentos se tornam frequentes e começam a interferir em tarefas que antes eram realizadas sem dificuldade. Perder-se em lugares conhecidos, esquecer compromissos importantes ou apresentar dificuldade para organizar atividades podem ser sinais que merecem avaliação. Quando essas mudanças passam a afetar a rotina, é importante observar sua frequência, intensidade e evolução ao longo do tempo.

O Doutor Yuri Silva Portela ressalta que também é importante evitar conclusões precipitadas. Uma alteração de memória não significa necessariamente a existência de uma doença específica. Sono inadequado, estresse, determinados medicamentos, problemas emocionais e outras condições podem interferir na atenção e na capacidade de recordar informações. Por isso, identificar possíveis causas exige considerar o contexto em que os esquecimentos aparecem e as demais mudanças observadas no cotidiano.

Cansaço e isolamento também podem ser sinais

Nem sempre os sinais de que algo está errado aparecem como dor ou limitação física. Um idoso que deixa de participar de atividades que costumava apreciar, passa mais tempo isolado ou demonstra perda persistente de interesse pode estar enfrentando uma dificuldade que merece atenção. Mudanças emocionais também fazem parte da avaliação da saúde e não devem ser automaticamente associadas ao envelhecimento. Perceber quando essas alterações começaram e como elas interferem na rotina pode ajudar a identificar uma necessidade de cuidado.

O mesmo cuidado vale para o cansaço. Uma redução importante da disposição pode ter diferentes causas, desde alterações na rotina até problemas de saúde que precisam ser investigados. Quando a pessoa passa a evitar tarefas simples, interrompe atividades habituais ou precisa de mais ajuda do que antes, a mudança merece ser observada. A persistência desses sinais e sua interferência nas atividades diárias são aspectos importantes para orientar uma avaliação adequada.

O Doutor Yuri Silva Portela defende uma perspectiva de cuidado que considera a pessoa idosa em sua totalidade. Essa abordagem é especialmente relevante quando sinais físicos, emocionais e sociais aparecem simultaneamente, pois uma alteração pode influenciar outra. O isolamento, por exemplo, pode reduzir a atividade física, enquanto uma limitação física pode dificultar a convivência. Considerar essas conexões permite compreender melhor o contexto do paciente e evitar que diferentes sinais sejam analisados de forma isolada.