Custos de um hotel: Veja como separar os fixos e os variáveis para uma melhor precificação

Emilia Sartelli
Por Emilia Sartelli
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Gianmarco Marchetti

A gestão de um hotel exige clareza sobre cada real que entra e sai. Como informa o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, quando o gestor mistura custos fixos e variáveis, calcula a diária no escuro e corre o risco de vender caro demais na baixa temporada ou barato demais no feriado. Essa confusão contábil está na raiz de muitas decisões de preço equivocadas.

Folha de pagamento, energia, enxoval e comissões pesam de formas diferentes no resultado, e cada uma pede uma leitura própria. Entender essa diferença protege a margem e orienta a estratégia comercial. Com isso em mente, acompanhe a leitura e descubra como transformar a planilha em ferramenta de decisão.

O que diferencia custos fixos e variáveis em um hotel?

Custos fixos permanecem estáveis, não importa quantos quartos estejam ocupados. Entram nessa conta o aluguel ou financiamento do imóvel, seguros, sistemas de reserva e a estrutura mínima de equipe. Já os custos variáveis acompanham o movimento de hóspedes: cada check-in gera consumo de água, amenities, lavanderia e café da manhã. A fronteira entre os dois grupos revela quanto custa vender mais uma diária.

Na prática, um hotel com 30% de ocupação paga praticamente a mesma conta fixa de outro com 90%. Segundo Gianmarco Marchetti, esse contraste explica por que o custo unitário por quarto cai conforme as vendas crescem e por que a ocupação pesa tanto no resultado final da operação hoteleira.

Como classificar folha, energia, enxoval e comissões?

Algumas despesas escapam da classificação simples, porque misturam as duas naturezas. Por isso, o gestor precisa analisar o comportamento de cada gasto diante da variação da ocupação, sem se apoiar em rótulos genéricos, frisa Gianmarco Marchetti, gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006. Tendo isso em vista, a seguir, veremos como esse raciocínio se aplica aos quatro itens mais frequentes da rotina hoteleira:

  • Folha de pagamento: majoritariamente fixa na equipe base, com parcela variável em horas extras e diaristas de alta temporada;
  • Energia: parte fixa na iluminação e na refrigeração das áreas comuns, parte variável no uso dos apartamentos;
  • Enxoval: variável na lavagem por diária vendida, com reposição periódica que se aproxima de um custo fixo;
  • Comissões: totalmente variáveis, pois incidem apenas sobre reservas fechadas por agências e plataformas.

Essa classificação mista exige disciplina de registro. Desse modo, separar a parcela fixa da variável dentro de cada conta evita distorções na hora de projetar resultados. Sem esse cuidado, o gestor atribui à ocupação um custo que já existia ou ignora um gasto que cresce a cada reserva.

Como os custos fixos e variáveis afetam o preço da diária?

De acordo com Gianmarco Marchetti, os custos variáveis definem o piso da tarifa. Abaixo desse valor, cada hóspede aumenta o prejuízo, mesmo com o hotel cheio. Os custos fixos, por sua vez, determinam o ponto de equilíbrio, isto é, a ocupação mínima para cobrir toda a estrutura. Juntos, os dois indicadores delimitam a faixa em que o preço pode circular com segurança.

Imagine uma diária de R$ 300 vendida por uma plataforma que retém 15% de comissão. O hotel recebe R$ 255 e ainda desconta lavanderia, amenities e café. Inclusive, comparar esse resultado com a venda direta mostra por que vale investir em canais próprios antes de aceitar descontos agressivos.

Quando a gestão por margem de contribuição justifica baixar a tarifa?

A margem de contribuição resulta da diferença entre a tarifa e os custos variáveis de cada diária. Enquanto esse valor for positivo, vender contribui para pagar a estrutura fixa, mesmo com desconto. Em dias de baixa procura, portanto, uma tarifa reduzida pode render mais caixa do que um quarto vazio, pontua Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda.

O limite está na proteção da marca e do ticket médio. Descontos frequentes ensinam o hóspede a esperar promoções e corroem a percepção de valor. Dessa maneira, a decisão de preço melhora quando a equipe comercial conhece o piso de cada categoria de quarto e negocia a partir dele.

Custos bem classificados sustentam uma diária que protege a margem

Em conclusão, separar custos fixos e variáveis transforma a gestão de um hotel em um exercício de decisão, não de intuição. Folha, energia, enxoval e comissões ganham sentido quando o gestor entende como cada uma reage à ocupação. Assim, conforme enfatiza Gianmarco Marchetti, esse domínio dos números sustenta tarifas competitivas sem sacrificar o resultado.

Logo, quem adota esse método ganha previsibilidade para negociar com agências, ajustar a equipe e planejar a reposição de enxoval. O próximo passo consiste em revisar o plano de contas do hotel, classificar cada linha e testar a tarifa mínima de cada categoria de quarto antes da próxima alta temporada.