Governança corporativa em momentos de instabilidade: Entenda como estruturas de decisão reduzem riscos

Emilia Sartelli
Por Emilia Sartelli
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Pedro Henrique Torres Bianchi

Diante do contexto econômico instável, marcado por instabilidade econômica, retração do crédito ou queda de demanda, Pedro Henrique Torres Bianchi, advogado e administrador de empresas com especialização em reestruturação empresarial, ressalta que a governança corporativa deixa de ser uma formalidade. Nesses períodos, ela passa a funcionar como mecanismo concreto de proteção, capaz de reduzir erros de decisão e preservar a confiança de sócios, credores e parceiros.

Governança corporativa é o conjunto de práticas que orienta como uma empresa é dirigida e monitorada. Envolve a divisão de papéis entre os envolvidos, os sistemas de controle e a forma de prestar contas. Os princípios de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa do IBGC ganham peso prático em cenários de crise.

Nos tópicos seguintes, confira onde a governança atua sobre os riscos, por que ela influencia a relação com credores em momentos de pressão e quais cuidados evitam que a urgência desmonte as estruturas criadas em tempos de estabilidade.

Estruturas, controles e processos que fortalecem a gestão e previnem falhas 

O primeiro efeito da governança é limitar decisões isoladas. Camadas de revisão, como a aprovação e a separação entre quem autoriza e quem executa pagamentos, filtram escolhas precipitadas. Em uma crise, quando a pressão por respostas rápidas aumenta, esses filtros impedem que uma medida emergencial comprometa a capacidade futura da empresa.

Outro ponto central é a qualidade da informação. Controles internos, auditoria e indicadores acompanhados com regularidade permitem identificar sinais de deterioração antes que eles apareçam no caixa. O advogado Pedro Henrique Torres Bianchi, especialista em direito empresarial, assevera que a ausência desses registros dificulta a comprovação de que a gestão agiu com diligência quando as decisões tomadas durante o período de crise são contestadas.

Pedro Henrique Torres Bianchi
Pedro Henrique Torres Bianchi

Essa documentação tem valor jurídico. A Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) estabelece deveres de diligência e lealdade aos administradores, assim como o Código Civil para as sociedades limitadas. Decisões tomadas de maneira transparente, devidamente registradas e sem conflito de interesses oferecem maior proteção a quem as implementou, reduzindo a exposição pessoal dos gestores quando resultados negativos começam a ser questionados por sócios ou credores.

Governança, credores e decisões sob pressão

Em períodos de crise, o desmonte silencioso da governança é um risco comum. Reuniões e decisões são concentradas em poucas pessoas e controles são suspensos para acelerar pagamentos e negociações. Embora o ganho de velocidade seja real, a redução da revisão e da rastreabilidade aumenta.

É possível adaptar a governança ao momento sem abandoná-la. Comitês de crise com mandato definido, reuniões frequentes e relatórios de caixa semanais preservam o controle sem travar a operação. Considerando o exposto, Pedro Henrique Torres Bianchi, mestre e doutor em Direito Processual pela USP, manifesta que é imprescindível que o ajuste em questão equilibre a técnica jurídica e a condução da gestão, de modo que a celeridade exigida pela crise não resulte na eliminação do registro e da revisão das decisões.

Estrutura de decisão como proteção em tempos incertos

A governança corporativa reduz riscos ao organizar a forma como a empresa decide, registra e presta contas. Em momentos de instabilidade, ela protege o patrimônio, sustenta a credibilidade diante de credores e resguarda os administradores. No âmbito da reestruturação empresarial e da recuperação de crédito, Pedro Bianchi, especialista no assunto, afirma que a governança constitui a base para a elaboração de qualquer plano de recuperação.

Ao avaliar o tema, Pedro Bianchi considera que preservar essa estrutura significa manter critérios claros para decisões financeiras, definir responsabilidades e documentar as medidas adotadas durante a crise. Tais mecanismos contribuem para a redução de conflitos internos e permitem que sócios, gestores e credores compreendam os fundamentos de cada escolha, mesmo quando mudanças precisam ser implementadas em pouco tempo.

Por fim, a adaptação também exige que se identifiquem os controles indispensáveis e os processos que possam ser temporariamente simplificados. Com tal distinção, a empresa obtém agilidade sem prejuízo da transparência, da rastreabilidade e da prestação de contas, estabelecendo condições mais consistentes para a superação de períodos de pressão financeira.