A Meta apresentou os Ray-Ban Meta Audio durante o evento Meta Connect 2026, realizado em 23 de setembro. O modelo é o primeiro da empresa desenvolvido sem câmera e concentra sua proposta em recursos de áudio, comandos de voz e acesso a ferramentas de inteligência artificial. A novidade amplia a parceria da companhia com a EssilorLuxottica e reforça a tentativa de transformar os óculos inteligentes em acessórios para o uso cotidiano.
Em vez de capturar fotos ou vídeos, os Ray-Ban Meta Audio utilizam alto-falantes de ouvido aberto e microfones para reproduzir música e podcasts, atender chamadas e interagir com assistentes virtuais. A proposta é oferecer funções que normalmente dependem de fones de ouvido ou do smartphone, sem exigir que o usuário retire o celular do bolso.
Ray-Ban Meta Audio não têm câmera
A principal diferença em relação aos modelos anteriores da linha Ray-Ban Meta está na ausência de câmera. Segundo a Meta, os novos óculos foram projetados para oferecer uma experiência de áudio durante todo o dia, sem os componentes necessários para registrar imagens.
A escolha também separa o produto de uma das características que mais geram dúvidas sobre óculos inteligentes: a possibilidade de filmar ou fotografar pessoas e ambientes. A ausência de câmera não elimina todos os debates sobre privacidade envolvendo dispositivos conectados, mas reduz o potencial de uso do acessório para captura de imagens em espaços públicos.
O equipamento será oferecido em dois estilos, Clubmaster e Burbank, com diferentes combinações de armações e lentes. A Meta informa que a bateria pode durar até 12 horas. O preço inicial anunciado é de US$ 349, e as pré-vendas começaram em 23 de setembro nos Estados Unidos, com entregas previstas para 13 de outubro. A empresa não informou, nas fontes consultadas, uma data ou preço para o Brasil.
Inteligência artificial integrada aos óculos
Os Ray-Ban Meta Audio terão acesso ao Meta AI e também incorporarão o agente pessoal Muse. A ferramenta foi apresentada como uma forma de permitir que o usuário consulte informações, organize tarefas, receba recomendações e interaja com funções de inteligência artificial por meio de comandos de voz.
A Meta também citou recursos como tradução de conversas em tempo real, respostas sobre o ambiente e assistência contextual durante atividades do dia a dia. Como os óculos não têm câmera, a descrição das funções relacionadas ao ambiente deve ser entendida dentro das capacidades de áudio, microfones e inteligência artificial informadas pela companhia.
Na prática, a empresa tenta aproximar os óculos da experiência de um fone sem fio, mas acrescentando uma camada de assistente virtual. O usuário poderá ouvir conteúdos, fazer chamadas e conversar com a IA sem precisar manipular uma tela a cada interação. Essa abordagem coloca o produto em uma categoria intermediária entre wearables, fones de ouvido e acessórios conectados ao celular.
Meta planeja mais de 100 opções até o fim de 2026
Além do novo modelo, a Meta anunciou uma expansão mais ampla de sua linha de óculos inteligentes em parceria com a EssilorLuxottica. A companhia afirma que pretende chegar a mais de 100 opções entre as marcas Ray-Ban, Oakley e Meta Glasses até o fim de 2026.
A estratégia inclui novas cores, modelos mais leves, maior duração de bateria e atualizações de software voltadas a recursos de inteligência artificial. O anúncio indica que a Meta não trata os óculos como um experimento isolado, mas como uma família de produtos com diferentes estilos e possibilidades de uso.
O resumo do evento publicado pela Meta reforça que a expansão combina mudanças de hardware e atualizações de software. Com isso, a empresa busca aumentar a frequência de uso dos dispositivos e levar a inteligência artificial para uma interação mais discreta, baseada em voz e áudio.
Óculos inteligentes tentam disputar espaço com fones
O lançamento ocorre em um momento de busca por novas formas de acessar assistentes digitais sem depender diretamente da tela do smartphone. Nesse cenário, os Ray-Ban Meta Audio apresentam uma proposta diferente dos óculos com câmera: o foco não está em registrar o que acontece ao redor, mas em ouvir conteúdos, conversar com a IA e receber assistência enquanto o usuário realiza outras atividades.
O TechCrunch destacou o caráter sem câmera do produto e a tentativa da Meta de diferenciar seus óculos no mercado de dispositivos vestíveis. Ainda será necessário observar como os consumidores reagirão ao formato, à autonomia e à dependência de serviços de inteligência artificial, mas a novidade mostra que a empresa pretende transformar os óculos em uma plataforma de uso recorrente.
