Produzido sem conchagem e reconhecido com Indicação Geográfica Protegida desde 2018, o Cioccolato di Modica mantém uma textura granulosa que remete a técnicas levadas à Sicília durante o domínio espanhol
Quem prova o chocolate de Modica pela primeira vez percebe imediatamente que a textura foge daquela encontrada na maior parte das barras contemporâneas. Pequenos cristais de açúcar permanecem perceptíveis na boca, enquanto a massa tem estrutura quebradiça e sabor marcado pelo cacau.
A diferença está diretamente ligada ao método de produção. O Cioccolato di Modica IGP é elaborado a partir de pasta amarga de cacau e açúcar, sem passar pela conchagem, etapa usada em grande parte da indústria para tornar o chocolate mais liso e homogêneo. O controle da temperatura durante o processo impede que os cristais de açúcar se dissolvam completamente e cria a granulosidade característica do produto.
Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, inclui a tradição chocolateira nos roteiros pela Sicília porque ela acrescenta outra leitura a Modica, cidade conhecida também pela arquitetura barroca reconstruída depois do terremoto de 1693.
Uma técnica associada ao período espanhol
A tradição local relaciona o chocolate de Modica ao período de domínio espanhol na Sicília. Técnicas de processamento do cacau conhecidas pelos espanhóis nas Américas chegaram à Europa e foram incorporadas à produção realizada no antigo Condado de Modica.
O processo atual não deve ser entendido como uma reprodução exata de uma receita pré-colombiana, mas preserva uma característica fundamental atribuída a essa tradição: a ausência de conchagem e o trabalho da massa em temperaturas relativamente baixas.
O açúcar tornou-se parte essencial da versão siciliana. Como não se dissolve por completo durante o processamento, permanece visível e perceptível dentro da barra, criando a textura que distingue o produto.
O que define o Cioccolato di Modica IGP
Desde outubro de 2018, o Cioccolato di Modica possui Indicação Geográfica Protegida na União Europeia. O regulamento determina que todas as etapas de produção ocorram dentro do território administrativo do município de Modica.
A receita protegida utiliza entre 50% e 99% de pasta amarga de cacau, acompanhada de açúcar. Especiarias, aromas naturais, frutas e sal podem ser adicionados dentro das regras da denominação, enquanto leite, emulsificantes, conservantes, corantes e gorduras vegetais são proibidos.
Canela e baunilha estão entre os sabores tradicionalmente associados à produção local, mas atualmente também aparecem versões com cítricos, pimenta, pistache, amêndoas e outros ingredientes permitidos pelo disciplinar.
Por que a Benarrivati inclui os laboratórios no roteiro
Para Antonella, visitar um espaço de produção ajuda a explicar por que o chocolate de Modica causa uma impressão tão diferente antes mesmo de entrar na história da cidade.
“O mais interessante é provar primeiro e perceber a textura sem muita explicação. Depois, quando a família vê como o açúcar permanece dentro da massa e entende por que não existe a mesma cremosidade de outros chocolates, aquela diferença passa a fazer sentido. É uma maneira muito direta de conhecer Modica pelo paladar antes de olhar para sua arquitetura”, explica Antonella Giancoli.
Nos roteiros da Benarrivati, a escolha das casas e laboratórios depende das visitas e degustações disponíveis. A proposta é aproximar a técnica de produção da própria história chocolateira da cidade, sem pressupor que todos os produtores trabalhem da mesma maneira ou recebam visitantes regularmente.
Uma tradição inserida em uma cidade barroca
Modica faz parte das oito cidades do sudeste da Sicília reunidas no sítio das Cidades do Barroco Tardio do Val di Noto, inscrito pela Unesco como Patrimônio Mundial em 2002. Depois do terremoto de 1693, partes da cidade foram reconstruídas e deslocadas para áreas próximas, criando o conjunto urbano barroco que permanece como uma de suas principais referências arquitetônicas.
Entre as casas ligadas à história do chocolate está a Antica Dolceria Bonajuto. A atividade familiar remonta ao século XIX, e a empresa foi formalmente estabelecida em 1880, permanecendo em funcionamento em Modica até hoje.
Nos roteiros da Benarrivati, Antonella Giancoli trata o chocolate como parte dessa leitura mais ampla da cidade. Entre arquitetura barroca e laboratórios de produção, Modica mostra como uma técnica trazida para a Sicília séculos atrás ganhou características próprias e se tornou um dos produtos mais reconhecíveis do sudeste da ilha.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.
